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Postagens

A Bienal do Livro - 2022

 A visita à Bienal do Livro neste ano teve um gosto diferente: gosto de saudade que a gente mata, de retomar nossa vida como era antes de tudo isso. A pandemia não acabou, ainda convivemos com a COVID-19, mas estamos melhores do que em 2020. Este ano, eu tinha uma missão: entregar as cartas dos meus alunos a dois autores muito queridos: Eva Furnari e José Roberto Torero . Fui ao estande da SME, assisti ao encontro "Os sete em cena", evento que reuniu sete autores sensacionais, que trabalhamos em sala de aula. Com meu bebê no colo e as cartas na mochila, encarei aquele mundaréu de gente, mas valeu a pena: entreguei as cartas, tietei os autores, tirei fotos. Teve recado em vídeo do Torero e, mais ainda: ele respondeu as cartas! A Eva Furnari pediu meu celular para nos responder. Claro que as crianças piraram!!!! No retorno do recesso, vou levar impresso o e-mail com as respostas.  Abaixo seguem as fotos, o vídeo do Torero e as respostas! Agora, bora trabalhar com as indicações...

A cozinha afetiva

A Cozinha Afetiva   Em muitos lares, independente de como fomos educados, a cozinha e as refeições são a forma de ser e estar de muitas famílias. Pessoas que preparam suas refeições na correria, ou mesmo não preparam, as pedem. Esse assunto vem ganhando destaque no momento de pandemia em que estamos vivendo, uma vez que as pessoas estão se arriscando mais na cozinha. Surgem novas “musas da quarentena”, como Rita Lobo, Bela Gil e “musos” também, como Rodrigo Hilbert e mais uma série de chefs de cozinha que nos mostram que cozinhar é, sim, uma arte. As sensações que os cheiros e sabores de certos pratos nos causam nos transportam para nossa infância, nossa adolescência, algum momento especial de nossa vida. Outro dia, meu tio me mandou uma foto de um prato de feijoada com a seguinte mensagem: “lembrei da comida nordestina que sua vó fazia, que saudades! ”. Em algum momento da vida, você já comeu alguma refeição quando adulto, por mais simples que fosse, e sentiu o gosto da ...

O banheiro unissex

  O BANHEIRO UNISSEX   Há certas modernidades, digamos assim, certos avanços sociais que podem nos colocar em situações um pouco constrangedoras. Há um tempo atrás, iniciei um curso presencial de pós-graduação, que ocorria todos os sábados, o dia todo. Longe dos bancos de uma universidade há algum tempo, meu retorno foi bastante prazeroso, pois gosto de cursos presenciais por acreditar sinceramente que nada substitui a interação com colegas e professores. Logo de cara, o que mais me chamou a atenção foi uma placa na porta do banheiro, em que estava escrito “Banheiro Unissex”. Como assim? Iria passar meus sábados na universidade e escovar meus dentes na frente dos “meninos”? Não dava pra usar o espelho com a mesma naturalidade que se faz entre garotas. Evidente que fui utilizar este banheiro, via as pessoas com o mesmo constrangimento que eu. Como muitas colegas também tinham seus pudores em relação a isso, a universidade disponibilizou banheiros separados em outro an...

A primeira vez no motel

  A Primeira Vez no Motel   Sabe aquela frase que diz “essa é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência” ? Pois é, neste caso, NÃO é mera coincidência! Ocorreu que uma grande amiga chamada Ana (nome fictício para preservá-la) lá com seus vinte e poucos anos, foi pela primeira vez com o seu namorado ao motel. Era a primeira vez de ambos no local. Já não bastasse o mico de entrar a pé, eles tiveram que esperar um quarto, uma situação bastante constrangedora. Ao chegar ao quarto, fizeram uma exploração do ambiente, mexendo nas luzes, no controle da TV, no rádio, nas luzes da banheira, enfim, em tudo. Mas o namorado de Ana era metódico, detalhista, e viu justamente um compartimento que ele foi logo falando: “Olha, que legal, um lugar para colocar nossas roupas”. Apesar de achar meio bizarra essa observação do namorado, Ana acabou concordando em colocar a roupa lá dobrada, para não amassar, já que haviam ido em sigilo absoluto ao motel, e n...

Ah, as crianças...

  AH, as crianças...   As crianças são os seres simples e a maneira como elas compreendem o mundo é muito interessante. Elas prestam atenção em tudo, e soltam os comentários mais sinceros e espontâneos quando menos se espera. Por vezes, podem nos deixar totalmente constrangidos e nos colocar cara a cara com nossas imperfeições, mentiras e mais. Como no dia em que o filho de uma conhecida atendeu ao telefone. Era o chefe da sua mãe, uma policial militar. O menino não titubeou em responder: - Maria Cristiane não pode atender, ela está fazendo um cocô. Certa vez, essa mesma amiga foi a um casamento e comprou alguns pratos de presente para a noiva numa loja de R$ 1,99, fez um embrulho bonito e sabia que o presente iria agradar. Não deu outra, a noiva elogiou o presente e disse: - Não precisava, você deve ter gasto uma nota nestes pratos! O menino disparou: - Não foi não, foi só R$ 1,99! O risinho de constrangimento foi inevitável. No entanto, quem entregou um...

Era um ET, eu juro!

  Era um ET, eu juro!   Eu nasci e cresci nos anos 80. Bons tempos, em que não se tinha os recursos tecnológicos da atualidade, mas que deixaram saudades. Pra ser bem específica, me recordo do meu pai, que era um cara criativo, que sempre brincava conosco e inventava algo diferente pra fazer. A luta contra o tédio já existia pois o entretenimento era escasso. As pessoas procuravam hobbies, atividades com as quais pudessem se envolver, se divertir e conviver e, diga-se de passagem, eram muito criativas. Assim, há muitas histórias sobre os “hobbies” do meu pai. Um, particularmente, me causava preocupação, curiosidade, fascinação e até medo. De vez em quando, meu pai se reunia com alguns amigos para estudar e falar sobre Ufologia. Eu explico: são estudos sobre fenômenos relacionados a discos voadores. Não é um estudo científico, pois não tem comprovação. Mas há muitos ufólogos pelo mundo, buscando evidências que comprovem suas teorias. Meu pai e seus amigos montaram uma...

Presente de Grego

  PRESENTE DE GREGO   Esta expressão permeia o senso comum e, apesar de muitas pessoas não saberem o que significa ou sua origem, a utilizam pela compreensão de que, um presente de grego, é algo que ganhamos, que não negamos mas que não nos é útil ou mesmo agradável. No entanto, dar um presente de grego é, por vezes, a forma que encontramos para resolver um problema. Bem, comigo foi assim. Melhor dizendo: com a minha mãe foi assim. Nos anos 90, os animais de estimação ainda não tinham o tratamento cinco estrelas que têm hoje. Morávamos numa casa com quintal, já tínhamos o nosso cão de guarda, um rabugento poodle stander (grande e peludão) que ficava no quintal. Tinha seu canto, ficava preso e acho que esse era o motivo da rabugice. Não era raro nos encantarmos com cãezinhos fofinhos abandonados nas ruas do bairro e tentar trazê-los para casa. Mas, para amolecer o coração de pedra de minha mãe, era difícil. Afinal, alguém tinha que ser firme, colocar ordem na casa. ...

Os livros não envelhecem

Finalmente, depois de tanto tempo, volto a escrever por aqui. Andei sumida, né? Nasci mãe há um ano e oito meses e, desde então, tenho dedicado meus dias ao meu pacotinho de ternura. Muita coisa aconteceu, mas um fato não mudou. Parafraseando o Clube da Esquina, que diz "os sonhos não envelhecem", eu digo "os livros não envelhecem". Digo mais: "boas histórias não envelhecem". Este ano, estou tendo o privilégio de trabalhar com uma turma de 4º ano e venho com a minha principal bandeira "pedagógica": fomentar o encantamento pela leitura. Em todos esses anos de magistério, em cada turma que eu passo, planto uma sementinha da leitura e, com essa turma, não seria diferente. Em cada turma, um livro se torna "o queridinho", aquele que as crianças buscam na sala de leitura. Eis que uma aluna vivia com o livro "Marcelo, marmelo, martelo", de Ruth Rocha, a tiracolo, carregando-o para todos os cantos da escola. Eu ainda não o havia lido ...

O poder do agora?

Quem já leu algumas crônicas minhas, já deve ter percebido como eu sou nostálgica, saudosista, uma amante do passado, de tempos que trazem boas recordações. Como uma menina nascida no último ano da década de 70 e criada no rigor dos anos 80, trago comigo algumas memórias. E essas memórias me fazem criar alguns links com o que estou vivendo hoje. Estes dias, tenho utilizado com frequência o transporte público. Já, inclusive, escrevi sobre isso. No entanto, minhas observações de hoje se deitam sobre as pessoas. Eu tenho o hábito de observá-las, enquanto faço meu longo trajeto (loongasss duas horas e meia pra ir e duas horas e meia pra voltar). Evidentemente, não sou a única: milhares de paulistanos fazem essa viagem diariamente, atravessando a cidade para ir trabalhar. O que tenho observado são pessoas imersas nos universos de seus celulares, e confesso que isso me causa curiosidade, afinal, o que tanto se faz num aparelho que se tornou a extensão do nosso corpo? Alguém já tinha ...

As experiências sensoriais de Amelie Poulain

Vivemos em tempos de correria, de pensar em muitas coisas ao mesmo tempo e deste mesmo tempo ter uma escassez assustadora. Por isso mesmo, uma das minhas inspirações para escrever é criar a possibilidade de retornar para uma certa “inocência”. Essa expressão, aliás, me traz à mente uma música, chamada “Return to innocence”, muito tocada nas rádios brasileiras na década de 90. Mas não é de nostalgia que quero falar. No filme “O fabuloso destino de Amelie Poulain”, podemos ver com abundância (e de uma forma extremamente minuciosa), como pequenas experiências sensoriais podem nos dar prazer. Aliás, o prazer destas experiências, para Amelie, supera o prazer sexual no início de sua narrativa. No filme, aparecem tantas situações cotidianas banais em que os personagens mostram pequenos prazeres. Amelie, por exemplo, coloca sua mão numa saca de ervilha. Há anos atrás, os supermercados vendiam grãos desta forma: comprava-se feijão, ervilha e outras variedades, pesando-os na hora. Quand...

A gambiarra e a cilada

A nossa casa precisa de manutenção. Aquela gambiarra pode gerar um prejuízo muito maior ou, como diz o ditado popular, “o barato sai caro”. Pra nós (eu e meu marido) saiu mesmo. Alguns meses após o casamento, a porta de entrada do nosso apartamento, daquelas bem baratas e nada duradouras, começou a dar problema na maçaneta. Certo, meu marido colocou um prego de emergência, e esquecemos do assunto. Aquela era uma “tragédia anunciada”. Dito e feito. Certo dia, voltei do trabalho e o marido estava na faculdade. Quando coloquei a chave e girei, a porta não abria. Simplesmente não abria. O que fazer? Doida pra ir ao banheiro, tomar um banho, comer, chegar em casa de verdade e nada. Ouvi, na primeira tentativa, o barulho do prego caindo. E o autor da gambiarra só ia chegar à meia-noite! Bom, sem saber como agir, chamei meu irmão que mora no mesmo condomínio, o “Ursulão” da família. O apelido “Ursulão” refere-se àquele desenho antigo que o pai do Ursulino decide consertar tudo na cas...

O Shopping Trem

Quem mora em São Paulo sabe que, para ir a muitos lugares, o meio mais fácil é o transporte público. Mas que fique bem claro: de longe é o mais desconfortável. De uns tempos pra cá, tenho utilizado o trem em alguns sábados, que tem se mostrado mais prático do que utilizar o carro. Os paulistanos vão me entender: dirigir em São Paulo aos sábados é uma aventura, principalmente porque muita gente só utiliza seu veículo aos finais de semana. O trem tem algumas peculiaridades bem desagradáveis. Por exemplo, a demora e as centenas de ambulantes que circulam pelas linhas. Em minhas viagens, já vi de tudo: venda de doces, de fones de ouvido, de aparelhos eletrônicos que eu até desconheço a utilidade e muitos outros artigos. A febre do momento das crianças é o hand spinner , que é comercializado em média por R$20,00. Pois no trem é vendido a R$5,00! A procedência destes produtos? Duvidosa. Mas o sucesso de vendas é garantido. Vi pais chamando o vendedor para, certamente, levar um agr...

A inocência perdida

As imagens que compartilhamos em redes sociais ou em aplicativos vêm sendo uma das formas mais atuais de reflexão sobre nossa condição humana. Alguém discorda? Quantas vezes, não vemos frases sobrepostas em imagens, que materializam uma série de sentimentos? É fácil saber quando uma pessoa está indignada, pensativa, nostálgica, triste ou até decepcionada por essas frases sobrepostas compartilhadas em redes sociais. Posso tomar meu exemplo. Outro dia, há alguns meses, me deparei com a seguinte reflexão: Parei para pensar um pouco no que deixei de ser. Não falo isso com eventual amargor que a maturidade possa ter me trazido. Falo, aqui, da sensibilidade que meu olhar tinha sobre coisas simples. Da inocência, da ingenuidade, da capacidade de enxergar beleza nas coisas pequenas e até imperceptíveis aos olhos de muita gente. Era um dia de verão em que parei para refletir sobre o assunto e, dado o calor, desci do meu “apertamento” (nunca me imaginei vivendo em 48m²!, sou do ...