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Mostrando postagens com o rótulo Crônicas

A cozinha afetiva

A Cozinha Afetiva   Em muitos lares, independente de como fomos educados, a cozinha e as refeições são a forma de ser e estar de muitas famílias. Pessoas que preparam suas refeições na correria, ou mesmo não preparam, as pedem. Esse assunto vem ganhando destaque no momento de pandemia em que estamos vivendo, uma vez que as pessoas estão se arriscando mais na cozinha. Surgem novas “musas da quarentena”, como Rita Lobo, Bela Gil e “musos” também, como Rodrigo Hilbert e mais uma série de chefs de cozinha que nos mostram que cozinhar é, sim, uma arte. As sensações que os cheiros e sabores de certos pratos nos causam nos transportam para nossa infância, nossa adolescência, algum momento especial de nossa vida. Outro dia, meu tio me mandou uma foto de um prato de feijoada com a seguinte mensagem: “lembrei da comida nordestina que sua vó fazia, que saudades! ”. Em algum momento da vida, você já comeu alguma refeição quando adulto, por mais simples que fosse, e sentiu o gosto da ...

O banheiro unissex

  O BANHEIRO UNISSEX   Há certas modernidades, digamos assim, certos avanços sociais que podem nos colocar em situações um pouco constrangedoras. Há um tempo atrás, iniciei um curso presencial de pós-graduação, que ocorria todos os sábados, o dia todo. Longe dos bancos de uma universidade há algum tempo, meu retorno foi bastante prazeroso, pois gosto de cursos presenciais por acreditar sinceramente que nada substitui a interação com colegas e professores. Logo de cara, o que mais me chamou a atenção foi uma placa na porta do banheiro, em que estava escrito “Banheiro Unissex”. Como assim? Iria passar meus sábados na universidade e escovar meus dentes na frente dos “meninos”? Não dava pra usar o espelho com a mesma naturalidade que se faz entre garotas. Evidente que fui utilizar este banheiro, via as pessoas com o mesmo constrangimento que eu. Como muitas colegas também tinham seus pudores em relação a isso, a universidade disponibilizou banheiros separados em outro an...

Ah, as crianças...

  AH, as crianças...   As crianças são os seres simples e a maneira como elas compreendem o mundo é muito interessante. Elas prestam atenção em tudo, e soltam os comentários mais sinceros e espontâneos quando menos se espera. Por vezes, podem nos deixar totalmente constrangidos e nos colocar cara a cara com nossas imperfeições, mentiras e mais. Como no dia em que o filho de uma conhecida atendeu ao telefone. Era o chefe da sua mãe, uma policial militar. O menino não titubeou em responder: - Maria Cristiane não pode atender, ela está fazendo um cocô. Certa vez, essa mesma amiga foi a um casamento e comprou alguns pratos de presente para a noiva numa loja de R$ 1,99, fez um embrulho bonito e sabia que o presente iria agradar. Não deu outra, a noiva elogiou o presente e disse: - Não precisava, você deve ter gasto uma nota nestes pratos! O menino disparou: - Não foi não, foi só R$ 1,99! O risinho de constrangimento foi inevitável. No entanto, quem entregou um...

Era um ET, eu juro!

  Era um ET, eu juro!   Eu nasci e cresci nos anos 80. Bons tempos, em que não se tinha os recursos tecnológicos da atualidade, mas que deixaram saudades. Pra ser bem específica, me recordo do meu pai, que era um cara criativo, que sempre brincava conosco e inventava algo diferente pra fazer. A luta contra o tédio já existia pois o entretenimento era escasso. As pessoas procuravam hobbies, atividades com as quais pudessem se envolver, se divertir e conviver e, diga-se de passagem, eram muito criativas. Assim, há muitas histórias sobre os “hobbies” do meu pai. Um, particularmente, me causava preocupação, curiosidade, fascinação e até medo. De vez em quando, meu pai se reunia com alguns amigos para estudar e falar sobre Ufologia. Eu explico: são estudos sobre fenômenos relacionados a discos voadores. Não é um estudo científico, pois não tem comprovação. Mas há muitos ufólogos pelo mundo, buscando evidências que comprovem suas teorias. Meu pai e seus amigos montaram uma...

Presente de Grego

  PRESENTE DE GREGO   Esta expressão permeia o senso comum e, apesar de muitas pessoas não saberem o que significa ou sua origem, a utilizam pela compreensão de que, um presente de grego, é algo que ganhamos, que não negamos mas que não nos é útil ou mesmo agradável. No entanto, dar um presente de grego é, por vezes, a forma que encontramos para resolver um problema. Bem, comigo foi assim. Melhor dizendo: com a minha mãe foi assim. Nos anos 90, os animais de estimação ainda não tinham o tratamento cinco estrelas que têm hoje. Morávamos numa casa com quintal, já tínhamos o nosso cão de guarda, um rabugento poodle stander (grande e peludão) que ficava no quintal. Tinha seu canto, ficava preso e acho que esse era o motivo da rabugice. Não era raro nos encantarmos com cãezinhos fofinhos abandonados nas ruas do bairro e tentar trazê-los para casa. Mas, para amolecer o coração de pedra de minha mãe, era difícil. Afinal, alguém tinha que ser firme, colocar ordem na casa. ...

A DESCULPA OPORTUNISTA OU “MANUAL DE COMO SE LIVRAR DO TELEMARKETING”

Já fui uma operadora de telemarketing: 19 anos, sem experiência comprovada em carteira, precisando trabalhar, sim, lá fui eu! Acreditem, é constrangedor. É constrangedor oferecer seguro de vida no cartão de crédito em plena sexta-feira às 20 horas ou em pleno sábado pela manhã. Percebemos e sabemos quando estamos incomodando. Por vezes, somos maltratados, ouvindo um sonoro “NÃO QUERO” dito assim, claramente. Mas estamos ali para isso, afinal, se fosse fácil, as empresas não terceirizariam esse tipo de serviço, elas mesmas o fariam. Ao menos esse foi o discurso durante o treinamento. Bem, pensando por esse lado e também no fato de que há um ser humano, cidadão e trabalhador do outro lado da linha, fica mais difícil despachar a ligação de maneira grosseira. Ao menos para mim, que já fui a “invasora de lares”. Outro dia, eu estava saindo do meu apartamento, e tenho uma vizinha que fala suuuper alto ao telefone. Mora sozinha e, em prédios, você escuta muitas coisas sem querer. ...

A cantada no Busão

Ele era o típico adolescente. 17 anos, trabalhava desde os 14 e naquele ano era office boy. Na década de 90, muitos garotos iniciavam sua vida profissional neste ofício. Eram tantas aventuras: passavam debaixo da roleta para guardar o dinheiro do táxi ou da passagem de ônibus, faziam amizade com as atendentes dos bancos e às vezes conseguiam furar a fila e, entre um serviço e outro, ainda arranjavam encontros com as minas das redondezas. Ele não era bonito, era verdade... mas tinha uma lábia! Era xavequeiro demais, tinha bom papo, e com isso as conquistava. E se não conquistasse, não tinha problema. O importante era que tinha amigos, que se divertia, fazia farra. Ele entrou no busão como de costume. Era a hora de ir embora. O trajeto era longo, mas ele pegava o ônibus no ponto final, então ia sentado. Dormia quase que todo o trajeto. Naquele tempo, não havia faixa exclusiva de ônibus, nem rodízio e, por isso, o trajeto da estação da Luz até a Penha levava mais de uma hora. ...

A praia do paulistano

A praia do paulistano A expressão “o shopping é a praia dos paulistanos” é bem conhecida. Sábado é certo que milhares de casais de namorados e amigos se encontram lá, pegam um cineminha, dão um rolê , olham vitrines e fazem suas refeições naqueles restaurantes que nos levam pelo cheiro delicioso. Aliás, o “aroma” de praças de alimentações de shoppings é praticamente irresistível. Aos domingos, as mulheres tiram sua merecida licença da cozinha (depois de uma semana exaustiva de trabalho) e lá se vão com a família almoçar. O mais interessante é que, neste ano de 2017, tivemos três semanas de feriados seguidos. Eu, como paulistana da gema, que não fui viajar, fui aonde? Ao shopping , evidentemente. Na Páscoa, o shopping perto de casa (em que costumo ir sempre) estava relativamente tranquilo, talvez porque foi o primeiro da sequência de três feriados e, principalmente, por ser um feriado em que as famílias almoçam juntas e compartilham os deliciosos ovos de Páscoa. No meu...

A inocência perdida

As imagens que compartilhamos em redes sociais ou em aplicativos vêm sendo uma das formas mais atuais de reflexão sobre nossa condição humana. Alguém discorda? Quantas vezes, não vemos frases sobrepostas em imagens, que materializam uma série de sentimentos? É fácil saber quando uma pessoa está indignada, pensativa, nostálgica, triste ou até decepcionada por essas frases sobrepostas compartilhadas em redes sociais. Posso tomar meu exemplo. Outro dia, há alguns meses, me deparei com a seguinte reflexão: Parei para pensar um pouco no que deixei de ser. Não falo isso com eventual amargor que a maturidade possa ter me trazido. Falo, aqui, da sensibilidade que meu olhar tinha sobre coisas simples. Da inocência, da ingenuidade, da capacidade de enxergar beleza nas coisas pequenas e até imperceptíveis aos olhos de muita gente. Era um dia de verão em que parei para refletir sobre o assunto e, dado o calor, desci do meu “apertamento” (nunca me imaginei vivendo em 48m²!, sou do tempo...

Professores Alienígenas

Hoje dedico meus escritos a estes guerreiros sociais: os professores. O primeiro núcleo em que convivemos é a nossa família e o segundo é a escola. Considerando que iniciamos nossa escolarização com, no mínimo, quatro anos de idade, seguramente posso afirmar que a escola é a extensão da família, e o adulto que ali comanda é a referência. Tarefa difícil, não é? Muito bem, há coisas que os pais não fazem. Mães não fazem sexo. Alguém por acaso já se pegou imaginando tal situação? Duvido. Por conseguinte, professores, que são a extensão dos adultos da família, também não! Não estou aqui para falar de sexo. Mas sim das ideias e fantasias das crianças sobre estes profissionais tão importantes. A recordação que tenho é que, lá na década de 90 (vejam bem, eu já estava no Ensino Médio, conhecido como Colegial) e fui lá “alugar” uma professora no seu sagrado período de intervalo. Naquela época, não havia o cerco aos fumantes como se tem hoje. Assim que apareci na porta da sala dos prof...

A crônica da web

Como e quando nasce um cronista? Não sei ao certo, mas posso tentar explicar pela minha própria trajetória. Com a minha função profissional de professora coordenadora da rede estadual de São Paulo, tive que recorrer a todo o meu acervo literário para fazer as "leituras de deleite" nas reuniões coletivas, mas queria fazê-lo de uma maneira que envolvesse as professoras e se tornasse um momento prazeroso, numa rotina tão desgastante a que muitas estão submetidas. Pois bem, vieram parar em minhas mãos livros de Walcyr Carrasco, Antônio Prata, Luís Fernando Veríssimo, Marcos Rey e Martha Medeiros. Leitura engraçadas, leves, que mostram um cotidiano que em alguns momentos nos identificamos. Muito bem, com tanta inspiração, "caiu no meu colo" uma história que quero tornar uma crônica.  As redes sociais nos pregam peças engraçadas, nos colocam em situações inusitadas.  No final do ano, uma professora me emprestou um livro que comprou em 2010, da autora Maria de Fátim...